About Me

My photo
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
As antigas civilizações viam na vestimenta as possibilidades de manifestarem as suas verdades e suas ligações com o corpo. Acreditavam que esses dois elementos não se separam nunca, pois tudo é interligado, marcando com isso a singularidade da beleza de cada um. É com esse propósito que crio minhas estampas, para que elas vistam o corpo e a alma. Entrem em contato: marlyarte@yahoo.com.br

Saturday, December 16, 2006


Fui hoje ver a exposição de Camille Claudel. Sua arte é de uma sensibilidade tamanha, uma mulher bela, com uma visão ampla em um momento da história nada promissor. Sua arte repleta de emoção fala por ela. Fala em nome da beleza e do amor, mas percebe-se a coisa doída de sua existência.
Há mais de dez anos trabalho com psicóticos e neuróticos graves monitorando oficinas de arte e poesia. A loucura certamente é um dos principais desafios que aponta para todos nós uma grande responsabilidade.
O sofrimento mental de Camille se deu em um momento histórico em que as instituições manicomiais eram o único lugar em que eram "acolhidos" os ditos loucos depois de abandonados quer fossem pelas famílias, pela sociedade ou pelo estado. A premissa básica desse tipo de instituição nunca foi a de "cuidar", mas a de "vigiar e punir."
Podemos ter a compreensão do quanto Camille deve ter sofrido. Quantas Camille sofreram e quantas sofrerão, e ainda mais os João, os Joaquim da vida, entre outros.
Hoje já vigora a lei antimanicomial, muitos manicômios fecharam suas portas. outros se descaracterizaram como tais, reformularam seus modelos de saúde mental. Mas ainda vigora o preconceito, o estigma.A loucura foi e ainda continua sendo aquela que deve ser afastada das vistas, pois ela incomoda. E o que permeia o incômodo é se ver no espelho, é a loucura nossa de cada dia.
Brindemos a essas criaturas que na maioria das vezes são de uma beleza rara, pois vêem o mundo em uma outra ótica, mas pessoas que merecem as flores mais perfumadas de nossos jardins, são pessoas que abandonamos por equívoco mas que pode ser consertado. Deve.

No comments:

Blog Archive

com o coração

com o coração
É assim que faço

Ilustrando